sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Maricá entra na era do gás natural

Por: Selma Araujo


O município de Maricá está se preparando para alavancar o seu processo de desenvolvimento e uma das primeiras medidas concretas para isso foi a assinatura, no último dia 10 de novembro, de um contrato com a Gás Natural S.A. (antiga CEG) para instalação de uma rede de distribuição do produto na cidade. A ideia é inaugurar o primeiro posto em dezembro deste ano, para que o município comece a contar com os benefícios da nova energia o mais rápido possível.

O presidente da Gás Natural S.A., Bruno Armbrust, explicou que, para trazer o gás até Maricá, será utilizada uma nova tecnologia, já implantada inclusive em outros municípios. “Existe uma tecnologia nova que a gente chama de gasoduto virtual, que nos permite avançar com a expansão, mais rapidamente em municípios ainda não atendidos. Por meio de carretas, que conseguem armazenar um volume muito grande do produto, a gente carrega com gás em pontos estratégicos da rede e leva para áreas que estão ainda distantes da nossa rede. Isso vai permitir, por exemplo, que Maricá possa ter abastecimento de gás em postos, eventualmente em indústrias, já no início do próximo ano, sem problema nenhum”, garantiu o presidente.

Bruno Armbrust disse que a experiência em Nova Friburgo, apesar de ser uma região de serra, foi bem-sucedida. “Nós fizemos um projeto-piloto em Nova Friburgo e funcionou muito bem, até numa situação de logística muito mais complicada por causa da serra. E já está funcionando há três anos, sem nenhum problema. O cliente nem percebe que está conectado por um gasoduto virtual e não por um gasoduto real. E depois, já tem uns seis ou oito meses que a gente montou em Teresópolis o mesmo sistema. O próximo agora a gente espera que seja Maricá”, afirmou Armbrust.

Uma das preocupações, principalmente, da população é em relação ao preço, já que o abastecimento não será realizado por um gasoduto real. Bruno Armbust explicou que o preço final é praticado pelo proprietário do posto, mas que no geral não há muita diferença. “Na verdade, o preço final no caso de um posto GNV, quem pratica é o proprietário do posto. A CEG não controla o preço final do posto. Mas o que eu tenho percebido, em Friburgo e Teresópolis, que estão com um sistema semelhante ao que vai ser implantado aqui, é que não existe muita diferença de preço. Agora, é como eu expliquei, o preço final depende de cada proprietário de posto”.

Segundo o presidente da Gás natural S.A., a empresa tem um projeto para trazer o gás a Maricá e depois estender o fornecimento até Saquarema. Porém, ele explicou que muitas vezes, a empresa esbarra na falta de industrialização dos municípios. “Quando você tem grandes indústrias, você tem o que a gente chama de clientes âncoras, que viabilizam o processo, e aqui em Maricá, pelo que o prefeito apresentou, eu acredito que em pouco tempo vai ter. Então a gente poderia, digamos, num longo prazo, substituir esse sistema por uma interligação com gasoduto real”, disse.

Fornecimento garantido

Armbrust ressaltou que hoje existe uma nova realidade e que a oferta é bem maior que a demanda, não existindo risco de ocorrer problemas como o de 2007, quando houve uma demanda muito forte de utilização de gás em termoelétricas por problemas climáticos. “Naquela época não havia as alternativas que a gente tem agora. Hoje, a Petrobrás implantou um terminal de gás natural liquefeito, na Baía de Guanabara. A gente está interligado com os campos produtores do Espírito Santo. O volume de gás, a situação privilegiada e a estratégia que o Rio tem, não havia há dois anos. Em que pese isso, hoje existe uma situação de oferta de gás muito maior do que a demanda, então há uma segurança total com relação à questão da oferta. O gás é fundamental e tem crescido muito nos últimos anos. Primeiro, pelos aspectos de eficiência e economia, tanto numa indústria como num comércio, você gasta menos produto para produzir a mesma energia. O gás é sempre mais econômico do que as outras alternativas. E tem a questão ambiental. Não se imagina hoje uma indústria moderna funcionando sem gás. No caso do GNV, a gente tem um rendimento muito maior, ele foi aprovado, tem carro que faz 15km por metro cúbico.

Ainda que tivesse o mesmo preço da gasolina e do álcool na bomba, o gás seria 50% mais rentável. O que não é o caso porque hoje o gás é o mais barato dos três”, lembrou Armbrust.

Instalação em Maricá

O processo de fornecimento do GNV será dividido em duas etapas. Na primeira fase, o gás veicular chegará à cidade, comprimido em caminhões-tanque, para conversão em locais específicos, que podem ser postos de combustível ou até mesmo unidades industriais. Já o fornecimento de gás natural de cozinha fará parte da segunda etapa do projeto, que poderá ser acelerado com a instalação de novas indústrias no município, pois aumentaria a demanda pelo produto, e compensaria o investimento da distribuidora de gás. Neste primeiro momento, os postos interessados devem se preparar para o processo de habilitação.



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